terça-feira, 22 de julho de 2008

Nova Vida

Lima Bahia

Queria ser esse vermelho sofá..
Para quando chegares cansada
Eu poder teu belo corpo abraçar...
Ó bela morena por mim amada!


Quisera ser: Ó bela morena!
... o chuveiro que te apassenta
a alma, te acalma, te deixa serena
para nova vida que se apresenta.


- Vida de aventuras é uma certeza!
Mas, muito cheia de esplendor
Rica de experiências e beleza
Marcada na grandeza do amor.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

EU SOU TRÊS!

Lima Bahia

Eu sou três!...
O meu primeiro eu:
É sonhador; prático; trabalhador;
Revolucionário; anárquico; primário...
Te ama responsavelmente...
Te ama com medo...
Te ama na consciência de apegos...
Te ama solitário.


O segundo eu:
Tem um amor do passado...
- Como iceberg, desliza mansamente no tempo
uma paixão imensa:
Hiberna intensamente...
Te ama por analogia...
Te ama por comparação...
Te ama a cada dia.


O terceiro eu:
É por demais desconhecido...
- é um ser inconseqüente:
Te ama intensamente...
Te ama eternamente...
Te deseja com as forças da mente...
Te gosta, te faz brincadeiras, te faz farras, te mente...
Te ouve, te fala verdade, se revela...
Te busca nos sonhos...
Te causa espantos tamanhos.

É tagarela:
Espera de ti uma resposta.
É só de ti que gosta!!!


Meus três eu’s é uma Lira
A tocar doce e melodiosa canção
Pelo suave dedilhar da brisa.

Sobradinho/91

RÉQUIEM DA ESPERANÇA

Lima Bahia

Bateu-me à porta a tristeza!
- Veio com a voz trêmula e com o medo...
Era mensageira da morte. – Tive certeza!...
Que anunciava à esperança outro enredo.


Insistiu a branca voz à porta:
- Levarei embora, à morte, tua esperança!
Pois tua paixão terá que ser morta,
Levada e retirada de toda lembrança.


Partiu-me a grande esperança à sorte
E em grande cortejo meus sonhos:
Nas mãos dos infungíveis braços da morte
Que saboreava momentos risonhos.

Juazeiro, 1982

segunda-feira, 7 de julho de 2008

ETERNO DESEJO

Lima Bahia


Que me venha a morte
e se vá com ela este desejo
e a vontade de tatear-te...
Quem sabe!... em outra vida te veja.


E não mais insípido momento
viverei. – Gozarei indelével amor...
agora vasqueiro que me é tormento
e não mais de ti será a dor.


Não morrerá em mim vontade de amar-te
E te ver desprovida de guarda sexo
tocada por Minerva, deusa das artes,
e a ti tendo inteira para o sexo.


Não mais sentirei da tua boca o fel.
Nem o aço cortante dos teus olhos ríspidos.
Sentirei na tua boca: o doce mel
e a embriaguez da volúpia nos desejos não partidos.

Brasília/81