sexta-feira, 1 de agosto de 2008

DÚVIDAS


Lima Bahia

Pelo sim!...
Me perdi no oceano sem fim,
Em águas revoltas
E com o coração em revoltas.


Pelo não!...
Vi pedaço de mim
Explodindo qual canhão,
Aproximando minha vida do fim.


Será pedaço de mim?!
Ou simplesmente por ter
Como pedaço um ser?!


Será que um dia
Esse pedaço ser
Irá compreender minha agonia?!
Ou me atirará na cova dos leões
Por simples razões
De eu, também, querer viver?!


Mente turva
Que deixa refletir
A cor desse mar
Tingido de mágoas a me banhar!...
Esclareça as dúvidas
Que estão a me matar.

Brasília 1981

CENTÚRIAS


Lima Bahia

Centúrias! Centúrias são minhas palavras.
Dinamométricas palavras em filas
a mediram as forças reais da nossa existência:
- que milimétricamente percorre caminhos abissais.


Centúrias na busca dos teus sais:
- Matinais apegos para a sobrevivência
deste humilde servo que sonha subserviente
guardado para amar a ti somente.


Difíceis são os caminhos trilhados mansamente:
- a golpes de colocadas palavras.
- Aquecimento do inverno em mim residente
na esperançosa viagem, amando a ti somente.



Centúrias em formação de paixões:
- que por si se tornam belas
na singeleza das grandes emoções
pintadas por pincéis em aquarelas.


Rio de Janeiro 1979

terça-feira, 22 de julho de 2008

Nova Vida

Lima Bahia

Queria ser esse vermelho sofá..
Para quando chegares cansada
Eu poder teu belo corpo abraçar...
Ó bela morena por mim amada!


Quisera ser: Ó bela morena!
... o chuveiro que te apassenta
a alma, te acalma, te deixa serena
para nova vida que se apresenta.


- Vida de aventuras é uma certeza!
Mas, muito cheia de esplendor
Rica de experiências e beleza
Marcada na grandeza do amor.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

EU SOU TRÊS!

Lima Bahia

Eu sou três!...
O meu primeiro eu:
É sonhador; prático; trabalhador;
Revolucionário; anárquico; primário...
Te ama responsavelmente...
Te ama com medo...
Te ama na consciência de apegos...
Te ama solitário.


O segundo eu:
Tem um amor do passado...
- Como iceberg, desliza mansamente no tempo
uma paixão imensa:
Hiberna intensamente...
Te ama por analogia...
Te ama por comparação...
Te ama a cada dia.


O terceiro eu:
É por demais desconhecido...
- é um ser inconseqüente:
Te ama intensamente...
Te ama eternamente...
Te deseja com as forças da mente...
Te gosta, te faz brincadeiras, te faz farras, te mente...
Te ouve, te fala verdade, se revela...
Te busca nos sonhos...
Te causa espantos tamanhos.

É tagarela:
Espera de ti uma resposta.
É só de ti que gosta!!!


Meus três eu’s é uma Lira
A tocar doce e melodiosa canção
Pelo suave dedilhar da brisa.

Sobradinho/91

RÉQUIEM DA ESPERANÇA

Lima Bahia

Bateu-me à porta a tristeza!
- Veio com a voz trêmula e com o medo...
Era mensageira da morte. – Tive certeza!...
Que anunciava à esperança outro enredo.


Insistiu a branca voz à porta:
- Levarei embora, à morte, tua esperança!
Pois tua paixão terá que ser morta,
Levada e retirada de toda lembrança.


Partiu-me a grande esperança à sorte
E em grande cortejo meus sonhos:
Nas mãos dos infungíveis braços da morte
Que saboreava momentos risonhos.

Juazeiro, 1982

segunda-feira, 7 de julho de 2008

ETERNO DESEJO

Lima Bahia


Que me venha a morte
e se vá com ela este desejo
e a vontade de tatear-te...
Quem sabe!... em outra vida te veja.


E não mais insípido momento
viverei. – Gozarei indelével amor...
agora vasqueiro que me é tormento
e não mais de ti será a dor.


Não morrerá em mim vontade de amar-te
E te ver desprovida de guarda sexo
tocada por Minerva, deusa das artes,
e a ti tendo inteira para o sexo.


Não mais sentirei da tua boca o fel.
Nem o aço cortante dos teus olhos ríspidos.
Sentirei na tua boca: o doce mel
e a embriaguez da volúpia nos desejos não partidos.

Brasília/81

terça-feira, 17 de junho de 2008

MORENA DISTANTE

Lima Bahia

Quisera eu te cobrir de presentes
Neste dia, oh bela morena mal amada!...
Mas, estás de mim, há muito, ausente
E, em outro porto já ancorada.

Mesmo assim, musa da distância...
Este poeta que à vida tanto ama...
Não perderá nunca a esperança
De, ver-te na moldura de minha cama.

Quisera eu ter o poder da transformação
Para mudar o rumo frenético de tua vida
E conquistar para sempre teu coração
E, o teu corpo magnético minha querida.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

DESCOBERTA

Lima Bahia


Estava com o olhar no nada...
- Porque para mim a escuridão era nada -
Daí, surgiram invasores vaga-lumes...
Desvirginando a noite de estrelas em lume.



E, na negritude dos meus pensamentos,
Vi pontos luminosos cheios de ensinamentos.
Vi no mistério das luzes: - a simplicidade
Da harmonia do belo, só vista na longa idade.



Sorri... e, desfez-se em mim a escuridão
Que cerrava a porta do meu coração.
Sorri pela derrota da angústia,
E por saber apreciar a vida com astúcia.



Descobri: - Que o morto é belo.
- O nada existe, e também é belo.
- A beleza também existe na dor.
Principalmente na dor do amor.


Salitre/82

CERTEZA ÚNICA

Lima Bahia

Vivo isolado,
No tempo imensidão...
Com o coração estilhaçado
Por granada paixão.


Conto os cantos...
E estes são quatro!
- Sem encantos.
É apenas um quarto.


E não é esse meu canto.
Pois há muitas incertezas...
Que aumentam meu pranto.
Aqui só existe uma certeza:
- A de que eu te amo tanto.

Brasília 1980

quarta-feira, 11 de junho de 2008

CANÇÃO DO ABANDONO

Lima Bahia


Após um frustrado amor
Ainda em mim fremente,
Vejam só o que restou:
Um lar desfeito de repente...



Uma criança algum dia descontente
E talvez... a me culpar,
Por eu não ter regado nascido semente
De um amor vulgar.



O amor em mim fremente e adúltero
Foi por demais inconseqüente.
Nem mesmo dela cheguei ao útero
Mas a amo eternamente.



E, na sombra dos meus dias,
Passo na rua dos amargurados
Envolto em mil fantasias
E compro sexo por trocados.




Satisfaço-me e saio enojado...
Tudo ao revés dos sonhos meus,
Quando por um beijo era encorajado
E vivia como muitos Romeus.



Ela a Julieta da sacada
Esperava um orgasmo de paixão
Para de mim fosse apossada
Com toda força do coração.




Na sacada não consegui subir.
- Mesmo com as forças da razão,
Vi então Maria de mim partir
Sem o orgasmo da traição.



E agora, quando passo por sua janela
Sempre cerrada para o amor:
- Vejo-a aberta e sempre dela...
E para o meu peito em dor.




Quando passo na rua da amargura
Compro sexo e coxas nuas.
Aí, entre conhaques, me vem a loucura
Por nunca ter visto coxas suas.



Mesmo assim: as acariciei
Nos mais sublimes pensamentos
Em que também as beijei
Em dispersos momentos.




Quando olho para a lua,
Envolta em véus e sonhos,
Lembro-me que ela é sua
E dos meus passos tristonhos.



Dei-lhe a lua como guia
Para brilhar e inspirar suas noites,
E a tenho como vigia...
A iluminar meus passos em açoites:




Desvirginando as noites das calçadas
Em minha inconsolável solidão...
Acompanhado de almas penadas:
Parceiras da imensidão.



Dei-lhe a minha desgraça
Como paga das boas horas...
- que pensei fossem de graça!...
... Passadas nas cinzas das horas.




Dei-lhe meus sonhos...
E minhas noites não dormidas!
Hoje!... os dias futuros medonhos:
Serão pagas de muitas vidas.



Brasília/82

SUBLIME PAIXÃO

Lima Bahia


Leve como a espuma:
- a despencar da crista das eternas ondas.
Suave como a brisa:
- a soprar os corpos nus no enleio das paixões.
Meiga como uma mãe:
- a amamentar o filho em primeira lactação.


És tu! Oh, adorada!
Eterna moradora do meu castelo de sonhos.
És tu! Somente tu...
- que elevas mais alto o meu sentimento.



És tu que me fazes ver
O quanto é belo o firmamento.
És tu que a Deus mais me aproxima!
É por ti que as palavras soam em rima.


Sobradinho, 1991

SÓIS DO SEU SORRISO

Lima Bahia

Raiam sóis
no céu da sua boca...
brilhando em nós
... amarras desta vontade louca
de, sentir-me possuído pelos seus lábios,
- perfumados e carmins -
...prisões das paixões em mim.



Vinde a mim!
- musa ágil e frágil...
- de pele macia e alva -,
com seu sorriso fácil
e me farte em sonhos
para vivificar minh’alma...
nos seus braços eternos e longos
e, no seu corpo em chama
que este poeta adora e reclama.


Juazeiro, 1992

terça-feira, 10 de junho de 2008

AS CINZAS DA TUA AUSÊNCIA

Lima Bahia


As horas já se fazem em cinzas...
- Pudera eu te resgatar do tempo
e, vorazmente te amar em rimas...
para sufocar a dor deste momento.



Dói em mim tua longa ausência...
- Noventa e seis horas são meu mundo
em desastres de vidas sem clemência.
- E, quantas vidas fui a cada segundo!...


Em nenhuma delas fui feliz.
Faltou-me tu! Oh adorada musa!
Das cinzas restou-me a cicatriz
do medo imenso de tua recusa.



Esparramar-me-ía sob teus pés,
ressurgindo-me do nada em ardor.
Renascendo minha sorte, ao revés:
- No prazer de ti, meu grande amor!

Brasília/81

APROXIMAÇÃO A JOSÉ

Lima Bahia

JOSÉ! No limite da sua mente:
- Anormal para os homens ditos normais...
Talvez encontre a felicidade no seu consciente
Por pensar diferente dos normais imorais.

Talvez sinta outra dor!
Mas, acredito que jamais sentirá
A intensidade da dor do amor...
E, por esta razão sua vida não ruirá.


Talvez, em sua percepção, veja luzes e cores...
- Jamais vistas pelos normais:
(Anormais atores que fantasiados causam desamores
e consideram isto ser normal).

José! Em minha sanidade...
Vejo o quanto é insano.
Pois, a minha sanidade:
É o estado simplesmente insano...


Talvez, seu paraíso seja o nosso inferno!...
E o nosso paraíso seja o seu abismo!...
Mesmo assim, resta o consolo do nada eterno.
E isso é de mim um grande otimismo.


José! Quando você passa, vagando,
Por longínquas terras estranhas,
Sinto meus pensamentos viajando
E o roer em minhas entranhas.


Desejo ingressar no seu mundo,
Para provar e consolar:
- A sua família e a todo o mundo...
Ao confirmar que você está em bom lugar.


Brasília/81

sexta-feira, 6 de junho de 2008

MINHA CANÇÃO DESESPERADA

Lima Bahia

Os belos dias... já não os enxergo!
- Não inspiram mais belas poesias.
Tristes são os passos desagradando meu ego
A ruírem desesperadamente minhas fantasias.



Queria um dia desalinhavar-me de ti
Jogando-te na remota memória,
Lembrando-me do passado só na hora do sorrir
Da minha grande luta inglória.


E, na busca do eterno esquecimento,
Te busco nas noites mal dormidas...
Te amando pra morreres em mim somente.
- Puro engano, são horas perdidas!...



Minhas poesias não mais traduzem alegrias!
- São desesperadas e desesperançadas!
(Escritos e rabiscos de linhas de elegias...
que mostram as aventuras destroçadas).



Inquieta-me não ter sido lido
Quando, esvaía-me em amor!...
Inquieta-me não ter sido querido...
O que me transformou em dor.



Mas, restou-me alguma coisa!... Com certeza:
- A inspiração para esta canção desesperada
Que demonstra o sentimento em rudeza
Por não ter conseguido a coisa amada.

Rio de Janeiro/82

FILOSOFIA DE VIDA

Lima Bahia

Pense no UNO!
Exalte-o em verso...
Porque o Deus é o universo
De mistério profundo.



Ultrapasse a barreira do seu limite
Aí verá nova fronteira...
Mas, não fique triste!...
Mesmo que busque a vida inteira
Sentirá curta a imaginação
Pois o universo é imensidão.



Pense somente fazer um novo dia.
Tire da mente a especulação em agonia.
Ame o ser semelhante,
Do mundo seja amante.


Brasília/80

MEUS FANTASMAS

Lima Bahia

Quando, à tarde, em minha cidade,
o avermelhado sol deita ao horizonte,
me chega o peso da idade...
e, as lembranças fluem aos montes.



Sopra-me aos ouvidos
o Vento forte e secular...
dias de antepassados já vividos
e as lembranças do alpendre do lar.



Os bons fantasmas das minhas tardes...
passeiam garbosamente... e vivamente
sem o peso do corpo são majestades
que me anunciam outras cidades.



Ouço-os reunidos
em ventos crepusculares,
apaziguado-me para a morte,
aceitando à vida outras sortes.



Não me deixem!
- meu avô, minha avó...
me perder na morte.
Valham-me, quando for a minha hora...
para que eu tenha a sorte
de sentir a ternura
das almas sem agruras.


Sobradinho/92

MEU PAÍS

Lima Bahia

Meu estado de espírito traduz felicidade;
São teus dias meus infindáveis dias.
São tuas mãos minha complexa cidade
- onde anoiteço minhas grandes fantasias.


Teu corpo é o meu país querido
que minhas gaulesas palavras
buscam momentos não dormidos.


França... sei!... tirar-me-ás das trevas!
Beberei no côncavo cálice do teu corpo:
- o desejo maior de sempre viver
depois do saciado desejo morto
no ancorar seguro do teu porto.


Vinde a mim país da distância!
...Envolva-me em tuas ternas fronteiras
para que este homem, em última instância...
morra em ti e por ti noites inteiras.



Juazeiro, 1991

POEMA LÍRICO

Lima Bahia

Que veneno trazes em tua flecha,
Oh, errante cupido das mensagens do coração?...
- O da dor!?... Ou do verdadeiro amor?...
...mandaste-o Afrodite a mim...
neste dia lindo em canção?!...



Desejaria fosse meu coração errante,
para quando a Lira visse não sentir-me assim:
- lerdo, vasqueiro... e com esperanças inúteis.
Desejaria somente a sede dos corpos
no resumo prático, no aplacar das chamas
no gozo dos sexos em momentos fúteis.
- Daí me ajuizaria desta paixão imensa,
que se avoluma de forma intensa,
quando vejo e sinto a adorada Lira...
com seus suaves contornos e musical adorno.


Juazeiro/91

segunda-feira, 2 de junho de 2008

CHEGADA MATINAL

Lima Bahia

Quando, às oito horas,
chegas para mais um dia:
...ventos, pássaros, flora...
ao te perceberem; despertam em alegria.


O sol, ao perceber teu esplendor...
desponta timidamente assustado...
- porque brilhas intensamente com ardor
no compasso do teu corpo apressado.


As árvores em suaves brisas...
farfalham em momentos festivos
e em movimentos te avisam:
- alguém ti lança olhares furtivos.


Na calçada, às oito horas:
- por onde passas, nos canteiros matinais -,
desabrocham até as flores onze horas,
misturando-se com teu aroma nos ares florais.


Sobradinho/91

DEVOÇÃO


Lima Bahia

Jacó serviu à Raquel quatorze anos.
Muito mais eu te serviria...
Nem que vida toda fossem desenganos!
Pois, cada ano eu mais te queria.



Não mais que te quero neste momento...
Porque meu amor não tem limite.
E, se é minha sina viver em tormento!
Que seja por ti e a Jacó imite.



E, se outras vidas viver:
Em todas te servirei,
Mesmo que seja eterno sofrer,



E em todos os dias tentarei...
Por palavras e gestos te conquistar
Para de ti nunca me afastar.


Brasília/80

ABANDONO

Lima Bahia

Das concentrações mentais
Vejo lá de fora meu corpo...
E, de longe, os bens materiais letais.
Com isso foi traçado outro escopo:

- Passei da mente ter prazer.
Não mais por ações reais!
Mas por ficar sem nada fazer...
E sentir dias duráveis quais metais.

Abandono meu corpo matéria,
Transpondo paredes e portas.
E afirmo: Físico algum sabe esta matéria
E, jamais a exorta.


Brasília/82

POEMA DEDICADO A POETIZA

Lima Bahia

O que poderei escrever...
para te envolver em meus sonhos,
se em sonhos também vives
e destes fazes versos?!...

Que idéias não vividas terás
para que eu possa antes de ti vivê-las?!...

O que te levas ser poetiza?...
- Será o mesmo que poeta me faz ser?!...
Ou a insaciável vontade de escrever?!...
Escreves, por acaso tu, idéias vivas,
através do jogo das palavras mortas?!...
Ou escreve tal qual este poeta,
através das emoções errantes?
- onde as palavras são cantos:
à vida, à morte...
ao amor, à paixão...
à alegria, à dor...
à certeza, à incerteza
- um pulsar da vida em encanto
que chega aos corações dos amantes -.

Não me importa em ti a especulação do fazer:
- versos métricos ou livres,
- versos de rimas pobres ou ricas.
Importa-me somente saber
que és a bela poetiza:
que surpreende ao poeta...
na busca em ti pela beleza do ser
- harmonia na alvura do teu corpo:
magnético, altivo e imperativo
aos sonhos e às luxúrias do querer.

Sobradinho/92

segunda-feira, 26 de maio de 2008

ELEGIA AO AMOR DISTANTE

Lima Bahia

Quem te fez bela
A passear no meu jardim,
Por sob os pés nuvens de algodão,
No entardecer dos meus dias
Na soma das cinzas do passado?!...



Que futuro me desabrocha
Na flor dos teus seios
Onde sugo a vida em devaneio?!...



Ainda estou a salpicar de estrelas o teu caminho.
A ti vestir com o prateado luar
Que ilumina meus caminhos:
Sobre a terra... no céu... no mar...



Que doce poderia ser mais doce que o mel da tua boca?!
Que fel poderia ser mais amargo que o fel da tua ausência?!.
Que poesia poderia ser mais bela que a poesia da tua existência?!.
Que desejo poderia ser maior que o desejo de ti querer?!.



Ainda bebo do raro prazer do meu deserto:
- O cálice veneno da tua boca!
- A sede da tua nudez no desabrochar de um sorriso!
- O teu negro fruto, diamante encrustrado na alvura do teu corpo!


Brasília/81

ARUTREBA # ARUDATID + OÃÇPURROC

Lima Bahia

Menti!...
Extorqui!...
Bradei!...
Torturei!...
- Hoje sou o dono desta gente
que não fala o que sente.
- Hoje sou a razão
em nome do canhão.



Tenho! Não tinha!
Esta terra é uma rinha.
Para que ideologia
... se é tudo fantasia?!
Com licença, deixem-me passar
que o avião vai decolar.
- Passageiros tomem nota:
Pintou o sete... sete... sete!...
Mais uma chamada da SWISSAIR...

Brasília/81

AUTOCRÍTICA

Lima Bahia

O que não assegura meus versos:
...à publicação e ao povo conhecê-los?!...
- O medo de não fê-los métricos!?...
- A rima pobre para fechá-los em apelos!?...
Poderá, até ser, não me sentir gramático!...
Ou talvez por não ser poético!...



Os que fazem cordéis, os que fazem repentes;
Acaso não são poetas de uma gente!?...
- Então, o que me aflige no registro?
É a análise morta do exigente crítico?!...



Dos meus professores, da gramática, hoje sou mestre:
Na percepção da vida e no uso da palavra.
Arrumando eu a oração não tem quem ateste,
No cumprimento das regras, limite que me crava.



Na certeza do pouco saber da poesia...
Mas, na esperança de ser lido um dia:
Pelos olhos especulativos de alguma colega
E musas que me fizeram sentir poeta;
Permaneço sempre escrevendo e tentando
Ser poeta e, sempre, sempre, sonhando.


Sobradinho/92