terça-feira, 10 de junho de 2008

AS CINZAS DA TUA AUSÊNCIA

Lima Bahia


As horas já se fazem em cinzas...
- Pudera eu te resgatar do tempo
e, vorazmente te amar em rimas...
para sufocar a dor deste momento.



Dói em mim tua longa ausência...
- Noventa e seis horas são meu mundo
em desastres de vidas sem clemência.
- E, quantas vidas fui a cada segundo!...


Em nenhuma delas fui feliz.
Faltou-me tu! Oh adorada musa!
Das cinzas restou-me a cicatriz
do medo imenso de tua recusa.



Esparramar-me-ía sob teus pés,
ressurgindo-me do nada em ardor.
Renascendo minha sorte, ao revés:
- No prazer de ti, meu grande amor!

Brasília/81

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