sexta-feira, 6 de junho de 2008

MEUS FANTASMAS

Lima Bahia

Quando, à tarde, em minha cidade,
o avermelhado sol deita ao horizonte,
me chega o peso da idade...
e, as lembranças fluem aos montes.



Sopra-me aos ouvidos
o Vento forte e secular...
dias de antepassados já vividos
e as lembranças do alpendre do lar.



Os bons fantasmas das minhas tardes...
passeiam garbosamente... e vivamente
sem o peso do corpo são majestades
que me anunciam outras cidades.



Ouço-os reunidos
em ventos crepusculares,
apaziguado-me para a morte,
aceitando à vida outras sortes.



Não me deixem!
- meu avô, minha avó...
me perder na morte.
Valham-me, quando for a minha hora...
para que eu tenha a sorte
de sentir a ternura
das almas sem agruras.


Sobradinho/92

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